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Globalização e Poder

O Processo Histórico

            O processo de globalização da economia tem precedentes históricos antigos. Apesar da maioria das pessoas acreditar que se trata de um fenômeno recente, suas raízes tem fundamentos ideológicos no chamado Liberalismo Econômico (idealizado por Adam Smith, pai da economia), hoje conhecido em sua versão moderna: o Neoliberalismo.

            O início histórico remonta à Idade Média. As cruzadas marcaram o início do declínio do período Feudal, pois incrementaram o comércio entre as cidades e o países, criando uma nova classe chamada burguesia, composta pelos ricos comerciantes. Estes, devido ao seu poder econômico crescente, aumentaram muito seu poder político, dividindo a riqueza da época com o Clero e a Nobreza. Este incremento do comércio entre nações foi chamado de Mercantilismo(1500 a 1750 d.C.).

            Havia, porém, um grande empecilho para o contínuo enriquecimento da burguesia: o excessivo poder que exercia a Monarquia na economia, ditando normas, estabelecendo quem deveria ser comerciante, o que deveria importar e exportar, em que condições, entre outras tantas e tantas leis, feitas e desfeitas de acordo com o interesse dos nobres e para fortalecer o Estado.

            Esta classe cada vez mais rica – os comerciantes/industriais (ou burgueses) – não satisfeita com o poder excessivo que a Nobreza exercia sobre os seus negócios, acabou por disseminar uma nova filosofia política e econômica, principalmente a partir do século XVIII: o Liberalismo, que defendia a liberdade do comércio, a propriedade privada, a livre iniciativa e a desregulamentação da economia. Antes parceiros na expoliação do povo, agora inimigos brigando pelas pilhagens futuras.

            Nesta época aconteceram também muitas mudanças políticas com o surgimento das primeiras repúblicas. O fim das monarquias era então um meio pelo qual a burguesia poderia chegar ao poder, através dos parlamentos, onde teriam muito mais participação política, legislando em proveito próprio.

            O Liberalismo teve grande impulso a partir da Revolução Industrial (apesar de seu marco histórico ser a Revolução Francesa, de 14 de julho de 1789, chamada revolução burguesa), pois surgiram as primeiras indústrias, o comércio passou a vender não só produtos agrícolas e artesanais, mas também produtos industrializados. A industrialização, por conseguinte, criou excedentes de produção que precisavam ser vendidos, para que os burgueses pudessem ficar ainda mais ricos. Os mercados onde se encontravam as indústrias (Inglaterra principalmente), no entanto, estavam saturados de produtos industrializados e a população era demasiada pequena para tanta produção. Os industriais então perceberam que para vender estes excedentes precisavam entrar em novos mercados, em outros países. Estes mercados, infelizmente, estavam protegidos por barreiras alfandegárias e legais. O comércio marítimo naquela época estava restrito entre os países colonizadores e as colônias. Os portos destas colônias (Brasil, México, África) eram fechados a comercialização com outros países. Estas colônias, por sua vez, possuíam um grande potencial de consumo, pois os colonizadores, precisando de muita mão-de-obra nas colônias, escravizavam os negros e os índios, sem pagamento de salário ou qualquer outro tipo de remuneração. Seus objetos de uso pessoal, e mesmo a alimentação eram fornecidos pelos escravistas e restritos apenas ao essencial necessário para sua sobrevivência (muitas vezes nem o essencial lhes era dado). A Inglaterra, então, visando o grande potencial de exploração comercial existente, passou a ser contra a escravatura. Um dos exemplos do verdadeiro interesse inglês no fim da escravidão foi uma frase de um parlamentar inglês ao fim de um discurso contra o escravismo, na famosa Câmara dos Lordes. Disse ele: “…então, senhores, com o fim da escravidão, morre um escravo e nasce um consumidor”.

            Naquela época o Liberalismo foi defendido principalmente pela Inglaterra, com o apoio da classe burguesa de outros países europeus. Defendia-se a abertura dos portos das colônias, a liberação da economia, diminuição do poder do Estado na vida econômica, o livre comércio entre os países etc. Foi o primeiro passo para o incremento das relações de troca internacionais.

            Infelizmente, o Liberalismo defendido pela Inglaterra e outros países que estavam passando por processo de industrialização, ou que tinham interesse em novos mercados, terminou por deflagrar uma briga pelo comércio exterior (exportações). Ou seja, muitos países precisavam exportar mais para acumular divisas e financiar as grandes navegações e o próprio processo de industrialização. Acontece, porém, que para isso muitos deles desvalorizaram muito suas moedas, ou passaram a emitir dinheiro, com intuito de exportar cada vez mais, o que foi um dos motivos das crises financeiras que culminaram com a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918). A Segunda Guerra, conseqüentemente, foi resultado da não solução dos problemas financeiros gerados pela Primeira Guerra. Não foram criados mecanismos de regulamentação econômica mundial suficientes para evitar novas crises. A própria Alemanha estava enfrentando – às vésperas da declaração da guerra – a maior crise financeira e econômica de sua história, com inflação altíssima, pois saiu bastante lesionada da Primeira Guerra.

            A falta de regulamentação econômica, não só dentro dos países envolvidos na guerra, mas também no nível mundial, provou ser um erro. A falta de mecanismos reguladores e controladores das variáveis econômicas, ficando a economia por conta das leis do mercado causou muitos estragos. A partir daí muitas nações passaram a abandonar o Liberalismo puro, pois este não funcionava adequadamente. Existia a necessidade de intervenção governamental na economia. O comércio internacional também precisava de regulamentação. A grande época de prosperidade das empresas americanas do pós-guerra havia criado uma “bolha especulativa” que sobrevalorizara o valor das empresas no mercado de ações. Nesta época mais de 60% dos americanos aplicavam seu dinheiro na bolsa. O excesso de produção se tornou um problema, pois some-se a isso o crescimento do desemprego tecnológico, que resultou na diminuição da demanda. Era o fim da festa liberal – um dos berços do Capitalismo Moderno (EUA) sentiu o gosto de seu próprio remédio.

            Nos Estados Unidos, o Liberalismo sofreu grande derrota com a intervenção governamental para solucionar a crise de 1929. A administração do presidente Roosevelt interviu severamente na economia, criando subsídios, barreiras protecionistas, mecanismo de ajuste, controle cambial, o investimento militarista, entre outras tantas medidas. A este conjunto de medidas adotadas para solucionar a Grande Depressão foi dado o nome de Neil Deal.

Provado o remédio, o Liberalismo, a partir de então, só veio a ser difundido pelos americanos e demais povos desenvolvidos como maneira de explorar os recursos e a economia dos países menos desenvolvidos, pois são eles extremamente nacionalistas e protecionistas e não admitem que assim o sejam os outros países.

            O Neoliberalismo surgiu como um meio termo. Reza que devemos deixar que as leis de mercado conduzam a vida econômica, mas dentro de certos parâmetros. Para isso temos que criar organismos regulamentadores internacionais, sem intervir na soberania dos estados nacionais. Ou seja, estes organismos deveriam servir de mediador entre os conflitos e conciliador nas negociações entre países.

            No nível nacional, estes organismos não deveriam se intrometer na economia, mas regular, equilibrar as forças do mercado, para garantir a livre concorrência, criando medidas que evitem o uso de práticas comerciais abusivas e lesivas à atividade econômica, como no caso dos cartéis, dos monopólios, do uso de dumping etc.

O Papel dos Organismos Internacionais

            Logo após a Segunda Guerra (1944), os líderes dos países envolvidos preocuparam-se com a manutenção da paz mundial, pois muitos países ficaram totalmente arrasados, o que poderia gerar novos conflitos. Para ajudar a reconstrução desses países econômica, financeira e socialmente, foram criados dois órgãos de âmbito mundial: o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BIRD – Banco Internacional de Desenvolvimento (hoje conhecido como Banco Mundial). O FMI preocupou-se inicialmente em regulamentar as trocas monetárias entre os países (câmbio) e regular o valor das diversas moedas criando uma paridade em ouro, impedindo assim que os países desvalorizassem ou valorizassem suas moedas de forma aleatória. O FMI procura regulamentar a base monetária mundial, tentando criar mecanismos de defesa para evitar crises monetárias internacionais. Entre estes mecanismos está o empréstimo de dinheiro para suprir déficits da balança comercial, ou mesmo problemas monetários imediatos, que podem ter várias causas. Foi a partir deste momento que começou o processo de endividamento dos países do Terceiro Mundo que, precisando de dinheiro, realizaram vários empréstimos a juros exorbitantes, que enriqueceu ainda mais os países dominantes[1] .

            O BIRD, por sua vez, foi criado para captar recursos de uns países para emprestá-los a outros que precisassem de dinheiro para se desenvolver (investimentos em infra-estrutura, saneamento, projetos de educação etc.). Isto, teoricamente, ajudaria o desenvolvimento mundial, evitando a pobreza e a miséria nos países menos desenvolvidos. Infelizmente, como se sabe, estes recursos foram e têm sido empregados de forma errada, obscura e ilegal pelos países tomadores destes empréstimos (entre eles o Brasil). No final das contas, o que se sabe é que o dinheiro não foi empregado adequadamente e acabou gerando o contrário ao que se propôs: miséria, pobreza, desemprego, estagnação (devido aos juros dessa dívida, que já se multiplicou em muitas vezes).

            A criação destas duas instituições foi também responsável pela maior integração dos países do mundo, pois pela primeira vez tomou-se uma atitude concreta no sentido de regulamentar as trocas internacionais (de moeda e de mercadorias). Infelizmente, estes órgãos mundiais não têm ainda a autonomia e o poder suficientes para intervir nas economias dos Estados, mas certamente influenciam e conseguem coagir muitos governos a fazer o que lhe és imposto.

            Como podemos ver, o fenômeno de GLOBALIZAÇÃO é fruto da filosofia neoliberal. É um fenômeno presenciado com maior intensidade após o fim da Segunda Guerra Mundial, intensificado pelos avanços tecnológicos ocorridos neste período. A criação de organismos internacionais (FMI, BIRD, GATT, ONU) e os chamados blocos econômicos trouxe maior segurança e estabilidade para as relações de trocas no comércio exterior e ajudou na integração dos diversos países.

A Revolução Tecnológica

            O pós-guerra foi responsável por uma grande evolução tecnológica mundial, principalmente nos campos da computação, energia (energia atômica), biotecnologia, telecomunicações, entre outras. A ciência, até então voltada basicamente para o desenvolvimento armamentista, voltou-se para o desenvolvimento industrial. Foi a partir daí que se construíram inúmeras universidades e centros de pesquisa. O desenvolvimento tecnológico, que até então estava a cargo dos governos, foi para dentro das empresas, dos chamados Centros de P & D (Pesquisa e Desenvolvimento). Houve um grande progresso em todas as áreas do conhecimento humano, surgindo novos ramos do conhecimento, como a robótica, a biotecnologia, a informática, a eletrônica etc.. A tecnologia passou a ser utilizada para o bem comum, criando produtos mais aperfeiçoados (rádio, televisão, relógio digital, vídeo cassete etc.). Atingimos hoje um nível tão elevado de gastos em pesquisa, que as empresas já não conseguem bancar sozinhas com estes custos. Em determinadas áreas do conhecimento é necessário que haja uma integração entre os governos, os centros de pesquisa e as empresas para que se possa bancar os altos custos do desenvolvimento tecnológico. A aplicação das ciências na vida prática do cidadão nunca foi tão grande. Esta revolução tecnológica a qual se chamou de III Revolução Industrial foi imensamente responsável pela Globalização. As nações ricas e industrializadas, como aconteceu no século XVIII, passaram a se desenvolver em uma velocidade incrível e fabricar cada vez mais produtos novos e atraentes, satisfazendo necessidades que até então nem existiam.

            Os países industrializados, no entanto, precisavam de um mercado para absorver toda essa produção, mas duas coisas estavam em seu caminho: o protecionismo e o nacionalismo dos países subdesenvolvidos e o Comunismo. Estes países (no caso os Estados Unidos), preocupados em evitar o expansionismo comunista e em proteger seus interesses, financiou e ajudou muitas ditaduras de direita, para garantir primariamente duas coisas: A) a continuidade do pagamento da dívida externa; e B) influenciar na política econômica destes países, em proveito próprio. Lembramos então, no caso do Brasil, do Governo JK e do Golpe de 64.

O Novo Imperialismo

            Infelizmente, a Globalização tem sido usada de maneira manipuladora pelos países dominantes. Como isto acontece? Simplesmente porque, depois da guerra o mundo deparou com dois problemas cruciais: a questão da energia (petróleo, eletricidade) e da matéria-prima (minerais, vegetais, ouro, manganês, silício etc.). No primeiro caso, o petróleo, como fonte de energia, é limitado na medida em que não se renova. Os Estados Unidos e os países árabes enriqueceram com o petróleo quando descobriram reservas em seu solo. No entanto, os países dominantes não têm reservas energéticas renováveis, não são ricos em recursos hídricos nem minerais. Para se ter uma idéia, os EUA só tem petróleo para cinco anos de consumo, o Japão, para quatro meses. Os principais minerais hoje utilizados na informática e na indústria (bauxita, manganês, silício, entre outros) estão localizados ou no Brasil ou em outros países menos desenvolvidos. O Brasil possui quase que 100% das reservas de silício do planeta, mineral este que é usado intensamente na indústria eletrônica. Resumidamente, em longo prazo, um controle das fontes de matérias-primas e energia renováveis por parte dos países donos destas reservas seria capaz de mudar o atual quadro econômico mundial. Os americanos, japoneses e alemães perderiam sua hegemonia econômica frente ao nascimento de novas nações donas dos recursos imprescindíveis para o mundo. O Brasil, por exemplo, tem pelo menos 50% das espécies vegetais e animais do mundo inteiro. Quem possuir estas espécies poderá estar à frente em áreas que futuramente serão estratégicas para a civilização, como a biotecnologia, a biogenética, a produção de novos medicamentos etc.

            A Globalização tem o poder de colocar à disposição dos países desenvolvidos estas fontes de energia e recursos, pois combate o protecionismo e o nacionalismo. No entanto, contraditoriamente, o Estados Unidos é o país mais protecionista das Américas e o Japão também tem fortes barreiras à entrada de produtos estrangeiros em seu paísm, as chamadas barreiras técnicas.

            Não devemos ser contra a Globalização, pois ela é irreversível, mas devemos questionar o que podemos ganhar ou se apenas estamos sendo manipulados. Não devemos permitir a manutenção do atual estado de miséria e desemprego que enfrentamos em troca do adjetivo de estarmos “globalizados”. Devemos, acima de tudo, perceber o poder que temos de melhorar nossa vida e transformar o Brasil em um país desenvolvido. O momento atual nos favorece – e muito. Para isso é necessário que nossas elites sejam mais patrióticas, menos americanizadas. Não podemos achar que o que bom para o mundo é bom para nós. Temos como impor nossas próprias regras e jogar pesado em nível mundial, pois temos uma imensa capacidade de exploração de nossas riquezas.

Novas Formas de Poder

            O fim da Guerra Fria, que dividia o mundo em países do Primeiro (capitalistas desenvolvidos), Segundo (comunistas/socialistas) e Terceiro Mundo (capitalistas em desenvolvimento), trouxe à tona o elevado custo da luta pela soberania militar. Os Estados Unidos encaram hoje uma enorme dívida interna e externa devido, em grande parte, aos pesados investimentos militares.

Três coisas se tornaram bem claras: 1) o crescente gasto militar dos governos americano e soviético estava debilitando aos poucos suas economias. Países como o Japão, que não possuíam estes gastos (o Japão só possui exército de defesa), estavam se fortalecendo, colocando em risco a hegemonia americana; 2) a necessidade de encontrar soluções para problemas muito mais concretos que uma possível terceira guerra, como a questão energética e a proteção ao meio-ambiente; e 3) a nova vantagem competitiva das nações estaria ligada cada vez mais ao domínio de novas tecnologias e à geração e gestão do conhecimento.

Estas constatações justificaram a preocupação norte-americana em deter a corrida armamentista, pois era necessário concentrar recursos nos investimentos em tecnologia e não mais em armas, pois esta seria a maneira moderna de manter e aumentar o poder econômico e tecnológico norte-americano. Mas isto não seria possível se outros países continuassem a investir pesadas somas em armamentos. Para manter a soberania militar americana, aumentando os investimentos na geração de conhecimento, seria necessário que os outros países diminuíssem também seus gastos neste setor. A esta nova forma de dominação e influência internacional é chamado PODER BRANDO[2]. Winston Churchill, primeiro-ministro inglês à época da II Guerra Mundial já dizia:  “há dois modos de se conquistar um país: pela força e pelo domínio econômico”.Finda a Guerra Fria, os Estados Unidos e os outros países do mundo concentram-se agora numa guerra diferente: a guerra comercial. Com o enfraquecimento da influência americana nas políticas dos outros países, surge uma corrida para a disputa do título de nova nação líder. O que vai determinar quem ficará com o título não mais será o poderio militar, mas a capacidade de competir no mercado internacional e gerar continuamente novas tecnologias. Ou seja, ter o domínio tecnológico e econômico. É agora uma briga financeira. O campo de batalha agora é o mercado internacional, as bolsas de valores, a OMC (Organização Mundial do Comércio). Por isso mesmo os EUA estão empenhados como nunca na sua atividade comercial e fortalecimento financeiro, e estão conseguindo isso com muita competência. Dentre as principais preocupações do governo americano está o e-commerce (veja o site www.ecommerce.gov).

 

E o Brasil?

            É preciso, portanto, rever a maneira como estamos entrando na ECONOMIA GLOBAL, para que isto não se transforme em mais uma forma de continuarmos como estamos: pobres, desempregados, sem direito a saúde, educação, sem moradia e, principalmente, destituídos da dignidade enquanto ser humanos. Temos que saber como entrar no jogo, para ganhar. Saber que não devemos simplesmente aceitar o que nos impõe os Estados Unidos ou qualquer outro país, como querem fazer no caso da Floresta Amazônica. Como fizeram no caso da dívida externa. Estas políticas idealizadas e impostas pelo FMI têm um objetivo bem definido e podem são muito bem analisadas em vários livros, entre eles está o livro de Michel Chossudovsky (1999)[3].

            Podemos competir em condições de igualdade e até ser superiores a qualquer outro país, mas é preciso que nossa elite governante fuja do imperialismo moderno. Nossos interesses enquanto nação precisam estar acima de qualquer interesse internacional. Devemos estar globalizados, sim, mas que isto não represente perda de enquanto nação.

Para concluir, gostaria de transcrever a frase do iminente professor da Universidade de Harvard, mas brasileiro, Humberto Mangabeira Unger. Numa entrevista no programa Jô Soares, um dos telespectadores enviou um fax perguntando o porquê deste entrevistado falar com sotaque americano se era brasileiro[4], ao que respondeu: “falo com sotaque inglês, mas penso em português, enquanto que muitos de nossos governantes falam português, mas pensam com sotaque inglês”.

 

REFERÊNCIAS

CHESNAIS, François.  A Mundialização do Capital. São Paulo: Xamã Editora, 1996.

CHOSSUDOVSKY, Michel. A Globalização da Pobreza: impactos da política do FMI nos países do Terceiro Mundo. São Paulo: Moderna, 1999.

GALL, Norman. Nova Era da Economia Mundial. São Paulo: Pioneira, 1989. Coleção Novos Umbrais.

SANTOS, Theotonio. Economia Mundial: integração regional & desenvolvimento sustentável. 2ª edição – Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1994.


[1]  A briga dos Estados Unidos com o presidente de Cuba, Fidel Castro, não se fez somente por motivos ideológicos, mas também pelo fato de o presidente Fidel Castro ter tentado – na década de 70 – formar um bloco de negociação da dívida formado pelos países devedores (principalmente América Latina) para ameaçar a decretação do não pagamento desta dívida, caso as nações ricas não negociassem o valor e os juros de forma mais vantajosa. A decretação da moratória (não pagamento) causaria uma crise financeira nos países do Primeiro Mundo(e a falência de muitos bancos estrangeiros), pois  a maioria deles têm, no pagamento dos juros, uma grande fonte de lucros.

[2] “Poder Brando” significa a habilidade de alcançar resultados desejados nas relações internacionais por meio da atração, ao invés da coação. Ele atua no convencimento de outros parceiros a seguir ou concordar com normas e instituições que induzem ao comportamento desejado. O poder brando pode estar na atração provocada por idéias ou na habilidade para estabelecer agendas que contemplem a preferência de outros parceiros. Quando um estado pode tornar o seu poder legítimo, na percepção de outros estados, e quando pode criar instituições internacionais que estimulem outros estados a canalizar ou limitar suas atividades, provavelmente não necessitará utilizar com intensidade os seus tradicionalmente custosos recursos militares e econômicos. Veja-se Joseph S. Nye, Jr., Bound to Lead: The Changing Nature of American Power, Basic Book, 1990.

[3] CHOSSUDOVSKY, Michel. Globalização da Pobreza: impactos da política do FMI nos países do Terceiro Mundo. 1ª ed. – São Paulo. Ed. Moderna, 1999.

[4] Seu pai foi exilado político nos EUA na década de 60 e ele desde pequeno mora neste país, apesar de ser um dos intelectuais mais respeitados por políticos brasileiros, e também no meio acadêmico.

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