Início » Gestão e Liderança » Demita sua mãe

Demita sua mãe

Caso você não seja um grande empreendedor ou líder, sua mãe pode ter culpa nisso. Ou, até mesmo por você ser inseguro, ter baixa auto-estima e não ter motivação. Existem fortes indícios de que a figura materna tem enorme influência na formação de líderes, principalmente quando falamos de líderes e homens de negócios. Na vida de grandes homens, percebemos que uma grande parcela deles teve um tipo de imagem feminina materna muito forte. Em geral, tinham uma mãe que era muito participativa e um pai ausente, ou distante.

Sigmund Freud já falou a respeito disto. Dizia que o filho predileto entre os irmãos normalmente se tornava o mais confiante e seguro. Ao ser bem-sucedido na competição entre irmãos pelo carinho e afeto da mãe, cria dentro de si uma auto-estima elevada.

É claro que essa relação nem sempre resulta em caráter positivo. Hitler, sempre foi mimado pela mãe, teve um pai opressor, alcoólatra e violento. O cuidado que sua mãe dedicou foi fruto do fato de ele ter sido o único filho que lhe restou, pois outros morreram. Na sua vida adulta, já um ditador, comentava que nunca deixou de ser um “filhinho da mamãe”.

Nem sempre encontramos na biografia de homens famosos, informações explícitas da relação que tiveram com seus pais. Entretanto, apesar da falta de informações explícitas e conclusivas, as evidências tendem a confirmar a tese. Como é o caso de Martin Luther King Jr. e Steven Jobs (da Apple Computadores). A mãe do primeiro sempre disse ao filho que ele seria “alguém”. Os pais de Steven Jobs sempre o mimaram e era considerado um “menino de ouro”.

 

Outros Exemplos

Jack Welch, ex-presidente da General Eletric e considerado o “executivo do século”, em seu relato autobiográfico fala da mãe como uma mulher forte que sempre lhe influenciou muito. Seu pai teve suas qualidade, é certo, mas era uma figura sem muita expressão na sua vida. Foi sua mãe que influenciou seu espírito de perseverança e competição. Certa ocasião, ao participar de um jogo de hóquei, sua mãe lhe ensinou uma valiosa lição. Observe como ele descreve a situação em seu livro.

Era uma partida decisiva de um campeonato de hóquei […] já na prorrogação permanecia o empate de 2 a 2. Mas, de repente, o outro time marcou um gol e perdemos de novo, pela sétima vez consecutiva. Num acesso de raiva, atirei longe meu bastão de hóquei na arena de gelo, disparei atrás dele e dirigi-me ao vestiário. O time já estava lá, tirando os patins e despindo os uniformes.

De súbito, a porta se abriu e lá irrompeu minha mãe irlandesa. O recinto mergulhou em silêncio. Todos os olhos se grudaram naquela mulher de meia-idade, com um vestido estampado, enquanto ela caminhava pelo recinto, passando pelos bancos de madeira, onde alguns dos rapazes já trocavam de roupa. Ela se encaminhou diretamente em minha direção e agarrou a parte superior de meu uniforme.

— Seu paspalho! — gritou ela na minha cara. — Se você não souber perder, nunca saberá ganhar. Se você não for capaz disso, não deve entrar no jogo.
— Fiquei desolado — fora humilhado diante de todos os meus amigos — mas nunca esqueci aquelas palavras. A paixão, a energia, a decepção, e o amor que ela demonstrou com aquela atitude, abrindo caminho até o vestiário, era típico de minha mãe. Ela foi a pessoa de maior influência na minha vida. Grace Welch ensinou-me o valor da competição, assim como me impregnou do prazer de vitória e me imbuiu da capacidade de superar as derrotas.

Se desenvolvi algum estilo de liderança, algum meio de extrair o melhor das pessoas, devo tudo a ela […] Talvez o maior dom que ela me legou foi a autoconfiança.[1]

Henry Ford, por sua vez, tinha verdadeira adoração pela mãe. Em 1923, afirmou que tentou viver como sua mãe desejava que vivesse. Sua mãe acreditava no valor do trabalho. “Você deve conquistar seu direito de se divertir… A melhor diversão é a que vem depois do trabalho feito”, dizia ela ao filho. Mary, como se chamava, era muito amorosa, mas rigorosa e severa.

Outro homem de grande talento para os negócios, e que confirma essa perspectiva, foi Andrew Carnegie, o rei do aço no início do século XIX. Carnegie foi o homem mais rico do mundo em sua época. Na vida de Carnegie mais uma vez vemos o caso de um pai inexpressivo e uma mãe que deixou profundo impacto na personalidade do filho. O jovem Andrew, na verdade, tinha vergonha do pai. Andrew Carnegie herdou da mãe o espírito combativo, e foi classificado por um psicanalista como um “vitorioso edipiano”. A relação com sua mãe era profunda, e, na prática, substituiu seu pai como chefe da família.

A existência de um papel feminino forte na vida de uma criança, por si só, não explica ou conduz à liderança empresarial. No entanto, é uma faceta da formação de uma personalidade forte e combativa, segura.

Infelizmente, não podemos escolher nossa mãe, nossos referenciais de berço. Mas podemos demiti-la. Isso se traduz em evitar ao máximo os prejuízos afetivos que pode causar em nossa auto-estima. É desligar o botão, conduzir nossa própria vida. Procurar nossos próprios referenciais e reconhecer nosso valor enquanto individuo. A vida nas organizações e o sucesso nos negócios depende de muita perseverança, autoconfiança. Para isso, temos que encontrar dentro de nós a energia e a vontade que nem sempre encontramos em nossos laços maternos.


[1] WELCH, Jack. Jack definitivo: segredos do executivo do século. 7ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2001. P. 3-5.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: