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Objetivos da EAD

 

Com o crescimento da educação a distância inúmeras instituições de ensino superior têm procurado desesperadamente desenvolver projetos de EAD. Esse fenômeno se parece muito com a febre do comércio eletrônico. De repente surge uma crença generalizada e sem fundamento que ninguém irá sobreviver sem dominar a EAD. É claro que há muito de mentira e um pouco de verdade nesta crença. Muito de mentira porque a EAD não é nenhum modelo de ensino que resolve todos os problemas de competitividade, sobrevivência e custos de uma instituição. Um pouco de verdade porque em longo prazo várias tecnologias e metodologias utilizadas em EAD serão definitivamente incorporadas ao ensino presencial – e quem não entender isso ficará para trás.

Por isso, antes de uma instituição iniciar a implantação e o investimento de recursos em EAD é importante que responda a algumas perguntas, estabelecendo primeiramente os objetivos que pretende atingir. E definir os objetivos da EAD é passar por uma reflexão profunda, resistindo a seguir modismos e o senso comum. É preciso definir claramente os benefícios que se espera obter com a EAD.

Sendo assim, a reflexão sobre a implantação da EAD deve buscar respostas que servirão como diretrizes para suas ações. Resumidamente, são quatro as principais perguntas que devem ser respondidas: “por quê”, “para quem”, “com quem” e “como”. Após respondidas essas perguntas é que poderá ser avaliado o sucesso da iniciativa, pois sucesso é atingir o que se quer, mesmo que seja um objetivo tímido. Um projeto de EAD pode ser vitorioso por simplesmente desenvolver pesquisa na área, desde que tenha sido este o objetivo estabelecido.

Para ser mais claro, e didático, vou detalhar mais cada pergunta a ser respondida.

· Por quê?

Desenvolver a EAD dentro da instituição é prioritário? A ausência de know how na área irá comprometer o futuro da instituição? Até que ponto? Pode-se, por exemplo, chegar à conclusão de que a EAD não comprometerá a sobrevivência da instituição, que não é essa sua vocação. Pode-se também chegar à conclusão que a EAD deve ser desenvolvida apenas por necessidade de desenvolvimento metodológico, para agregar valor ao ensino presencial.

Ou, pelo contrário, a IES pode utilizar a EAD como estratégica para atingir novos públicos, ampliar sua atuação geográfica e a base instalada de discentes. Essas são as opções de muitas universidades americanas que agora estão nos nossos calcanhares. Como é de conhecimento geral, há pressão pela desregulamentação do ensino na OMC (Organização Mundial do Comércio) e a EAD será uma forte aliada das instituições estrangeiras.

Decidir por que implantar a EAD implica em ver os recursos aplicados em EAD como investimento ou despesa. Investimento porque buscará aumentar receitas; despesa porque o dinheiro investido não poderá ser inserido na mensalidade ou cobrado como serviço.

· Para quem

Quem serão os mais beneficiados com a implantação da EAD, qual o público-alvo dos projetos? A universidade atende os mais variados públicos: docentes, discentes, comunidade, organizações públicas e privadas. Determinar para quem é definir claramente os públicos que serão atingidos e os benefícios esperados para cada público. Isso influencia diretamente a abrangência dos projetos.

Pela falta de definição clara dos reais beneficiários dos programas de EAD, alguns projetos atendem muito mais aos objetivos acadêmicos de um pequeno grupo de pesquisadores que aos discentes, ou à própria universidade. Nestas situações, os discentes são tratados muito mais como ratos de laboratório do que como a ponta final do processo.

Outros projetos buscam pura e simplesmente o retorno financeiro, sem a preocupação de formar o discente um ser pensante. É o caso de muitos projetos de EAD desenvolvidos por universidades corporativas. A preocupação se concentra muito mais nos resultados que o discente trará para organização, do que nos benefícios pessoais gerados para o discente.

As universidades também podem pensar apenas em si mesmas quando vêem a EAD como uma forma de reduzir custos e/ou aumentar receitas, esquecendo dos docentes e dos discentes.

· Com quem

Depois de refletir sobre as duas questões anteriores temos que pensar quem serão envolvidos no projeto de EAD. A IES poderá optar em envolver pesquisadores, gestores acadêmicos, discentes bolsistas, empresas fornecedoras de soluções, firmar convênios com outras instituições ou contratar consultores.

Inicialmente, pode decidir se a forma de implantação será resultado da discussão de vários setores (geralmente formando comissões) ou será decisão de órgãos executivos (reitoria, pró-reitorias, diretorias, coordenações).

Pode ainda deixar a gerência da EAD a cargo de uma pró-reitoria, de uma diretoria específica, de um núcleo de pesquisa etc. O mais comum é a criação de NEAD´s, que estruturalmente são coordenações executivas. Mas nem sempre esse modelo é o melhor, por carecer de autoridade para tomar decisões mais relevantes e por pouca influência nos outros setores da instituição. Sobre essa questão falarei mais detalhadamente em outro artigo.

Abrindo aqui um parêntese, o que se percebe comumente é a ausência dos discentes nas discussões. Algumas instituições deixam-se dominar pela prepotência intelectual que diz que o discente não tem o conhecimento necessário para participar da discussão, do planejamento da EAD. É comum o discente aparecer no final, como mero sistema de feedback.

· Como

Muitas dificuldades podem aparecer neste momento. Principalmente porque neste ponto se tem a real dimensão dos recursos financeiros envolvidos, dos problemas a serem superados e das limitações da própria instituição. O “como” na implantação da EAD envolver as questões do tipo: onde está o público-alvo? São nossos discentes, são novos discentes, estão dentro ou fora da universidade? Estão concentrados ou dispersos geograficamente? Têm acesso à tecnologia? Podem se deslocar para pólos, ou é preciso ir até eles?

Este momento implica também em definir a metodologia, as mídias a serem utilizadas, a operacionalização, o sistema de apoio ao discente, a necessidade de capacitação de docentes, entre outras coisas.

Na ausência de estrutura interna e em recursos suficientes, a IES pode optar por terceirizar alguns serviços (produção web, provedores de internet, revisores de texto) ao invés de trabalhar com equipe própria. Poderá comprar conteúdos e tecnologias e/ou adotar soluções caseiras.

Um exemplo: devido aos altos custos envolvidos, e à existência de soluções bastante desenvolvidas e testadas, muitas universidades têm optado por utilizar ambientes virtuais de aprendizagem desenvolvidos por empresas, ou softwares livres desenvolvidos por outras instituições, como o TelEduc e o AulaNnet.

Como pudemos ver, desenvolver a EAD não é uma tarefa simples para uma universidade. Envolve grande esforço institucional e riscos. Por isso mesmo é importante que seja feita uma reflexão sobre os pontos apontados. Sem responder a questões fundamentais, a EAD pode implicar em fracasso, frustração e desperdício de recursos. Muitos projetos não tiveram continuidade ou não alcançaram seus objetivos justamente porque no início ninguém estabeleceu claramente o que se esperava da EAD. O pesquisador queria uma coisa, a cúpula da instituição queria outra e o discente, que está na ponta, esperava uma outra totalmente diferente.

Seguirmos os passos necessários não é garantia de sucesso – não sou tão ingênuo para afirmar isso. Mas por certo reduz em muito as possibilidades de fracasso.

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