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Cem anos depois: nada mudou

No século XVII, época do Império, viveu o maior empresário da história do Brasil, o Barão de Mauá. Fundador do primeiro estaleiro brasileiro, da primeira companhia ferroviária, pelo projeto de iluminação do Rio de Janeiro, pela criação da Cia. de Navegação da Amazônia, entre outros inúmeros empreendimentos.

O Barão não foi muito feliz. Apesar dos inúmeros serviços prestados a seu país e dos favores que fez ao próprio imperador, foi perseguido e quase odiado pelo monarca D. Pedro I. Para complicar ainda mais, o imperador estava cercado de ministros que trabalhavam em benefício próprio e de industriais ingleses. Estes ministros faziam de tudo para atrapalhar os negócios do Barão de Mauá, mudavam leis, normas, e favoreciam amigos. Para os monarquistas comércio e indústria eram atividades de segunda categoria, a agricultura e o tráfico de escravos eram a verdadeira e legítima fonte de riqueza de um país.

Passados mais de cem anos, o Brasil é hoje uma República. Era de se esperar que a visão tacanha e míope dos governantes mudasse radicalmente. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. O Governo brasileiro ainda governa como um rei, ainda trata o seu povo como súditos e os comerciantes e industriais como gente de segunda categoria.

Passados cem anos ainda temos gente no poder que não sabe administrar, que trata o público como privado e não tem visão empresarial para nada. Infelicidade nossa, o Barão de Mauá ainda representa hoje o empresariado brasileiro, que luta com dificuldades para sobreviver aos mandos e desmandos de governantes despreparados e que não entendem o que realmente produz riqueza. Não estranharia se alguns deles ainda quisessem que voltássemos a traficar escravos.

Não defendo proteção de mercado, mas é incrível como ainda favorecemos a indústria estrangeira em detrimento da indústria nacional. É incrível como pedimos como favor aquilo é direito das empresas, como se o governo não vivesse de impostos pagos por elas.

Para ser justo, vejo que um ou outro governante se salva. Em alguns estados vemos a mudança na forma de gestão das contas públicas, dos recursos humanos, dos processos ineficientes. São oásis no deserto. Torço para que a exceção vire regra.

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