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Shopping para quem?

Shopping Center sem dúvida é um negócio muito bacana. Tão bacana que ter loja em shopping é chique, enquanto ter loja no comércio é brega. Shopping é confortável, seguro, climatizado. Vamos ao shopping com a família, ou sozinhos. Vamos com a namorada… ou para arranjar uma. Vamos para comer, para ver gente bonita, para apreciar as atrações… Enfim, para um monte de coisa.

Um traço marcante nos shoppings é a presença do público jovem. A garotada vive no shopping e acha isso a maior badalação. Para eles shopping é “cult”. Entretanto, a grande parte dos shoppings não parece ter sido feita para quem está na meia idade ou já passou dela, apesar de uma realidade cada vez mais concreta: a população está envelhecendo. E está envelhecendo com saúde e dinheiro pra gastar. Vovozinha não faz mais tricô – agora freqüenta academia, separou do vovô e namora “um coroa enxuto”.

Quem tem mais de 50 anos não fica mais em casa cuidando do cachorro e assistindo programas de culinária. Quem acha isso não está “antenado”. Mas não pensem que eles querem parecer com seus filhos e netos. Nada disso! Só querem dignidade já. Viver…viver…viver…

O consumidor de meia idade e da melhor idade “tá com tudo e não tá prosa”. Quer viajar, roupa nova, passear e trabalhar. Curtir a vida, ter prazeres que antes eram roubados com o passar da idade. A mudança no comportamento das pessoas de meia idade pode ser sentida também na maneira como a mídia representa esse público[1]. Em novelas da Rede Globo, por exemplo, as pessoas de meia idade passaram a ser retratadas de forma muito diferente de tempos atrás, e chegam até mesmo a concorrer com os filhos em relacionamentos amorosos.

Apesar disso, os shoppings não estão ainda preparados para esse público. Seus serviços, o layout e os produtos das lojas, ainda não traduzem uma sociedade que está envelhecendo com saúde e disposição. A praça de alimentação mais parece um parque de diversões. Alguém já viu um encontro de senhoras nestes lugares? Os shoppings terão que conciliar os diversos públicos nos seus espaços físicos. Os eventos também terão que ser repensados.

Esse é um público que consome bilhões de reais. Só para se ter uma idéia, é responsável por grande parte da demanda por eletroeletrônicos e pacotes de viagem, pelo “boom” do crescimento do mercado de nutrição e estética. Hoje são 17% da população e no futuro serão 21%. Sairão de um consumo de R$ 170 bilhões para R$ 325 bilhões até 2010.

Os shoppings terão que mudar de cara. O vovô e a vovó estão cada vez mais “irados”.


[1] Sobre esse assunto, existe um artigo muito interessante da pesquisadora Guita Grin Debert, antropóloga e professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. O artigo, intitulado O Idoso na Mídia, fala das mudanças na forma de representação dos idosos por parte da mídia a partir dos anos 70.

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