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Seu chefe será uma mulher

O papel da mulher na sociedade mudou muito no percurso do século passado. A mulher não deixou de ter somente um papel social, agora tem o poder econômico, político e de decisão, em várias esferas. Como afirma Steven Pinker, em seu livro Tábula Rasa, o progresso tecnológico ajudou as mulheres. 

Água limpa, saneamento e a medicina moderna reduziram a mortalidade infantil e o desejo de uma prole numerosa. Mamadeiras e leite de vaca pasteurizado, depois bombas de leite e freezers, permitiram alimentar os bebês sem que as mães ficassem acorrentadas a eles 24 horas por dia. A produção em massa tornou mais barato comprar produtos fabricados do que fazê-los em casa, e encanamento, eletricidade e eletrodomésticos reduziram ainda mais a carga de trabalho doméstico. O crescente valor do cérebro em relação aos músculos na economia, o aumento da expectativa de vida humana (com a perspectiva de décadas de vida depois de criados os filhos) e a possibilidade de estudar por mais anos mudaram os valores das opções de vida femininas. Contracepção, amniocentese, ultra-som e tecnologias reprodutivas permitiram às mulheres postergar a gravidez até o momento ótimo em suas vidas.[1]

Bertrand Russel, renomado filósofo, já dizia que isso impulsionará de sobremaneira a inteligência coletiva da sociedade, visto que as mulheres são uma força pensante que estava sendo desperdiçada em atividades não intelectuais[2].

Não é novidade, portanto, a participação da mulher nas empresas. Principalmente após a Segunda Guerra Mundial, as mulheres passaram a exigir um espaço maior no mercado de trabalho e a fugir do estigma de donas-de-casa.

Entretanto, mulher ocupando o topo da hierarquia em grandes organizações não é comum, mas tem se tornado uma realidade cada vez mais concreta. Podemos citar o caso de Carly Fiorina, presidente da Hewlett Packard; da Dra. Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente da Cia. Siderúrgica Nacional. Mais recentemente, Ângela Merkel se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de chanceler da Alemanha.

A mudança nos modelos de relacionamento dentro das empresas, e a emergência de um novo tipo de liderança, favoreceram as mulheres. Há maior participação e democracia dentro das empresas modernas e os chefes autocráticos estão sumindo. Cada vez mais a liderança exige negociação, compreensão dos fatores motivacionais, capacidade de comunicação, trabalho em equipe.

As mulheres são mais aptas para entender as emoções que os homens, para perceber o clima organizacional. São ótimas nas habilidades de comunicação, são mais flexíveis ao mudarem de função, conseguem fazer muita coisa ao mesmo tempo. Isso é fundamental num ambiente de trabalho em que a especialização dá lugar à multitarefa. Ao mesmo tempo, desenvolveram competências que eram comuns aos homens.

O fato é que as mudanças nas organizações beneficiaram características que as mulheres têm de sobra. Isso ajuda na escalada rumo ao topo da hierarquia. Ótimo para elas. Melhor para a sociedade

Os homens que se cuidem. Se o mundo já era das mulheres, agora cada vez mais elas dominarão o ambiente corporativo. Cada vez mais o ambiente de trabalho terá um “toque feminino”. Seu futuro chefe será uma mulher.


[1] PINKER, Steven D. Tabula rasa. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 457.

[2] RUSSEL, Bertrand. Elogio ao ócio. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.

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