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O poder dos pequenos atos

Rosa Parks

Em outubro de 2005 morreu Rosa Parks, uma costureira negra de 92 anos. Uma pessoa simples, de origem humilde. Mas ela conseguiu mudar a vida dos negros nos Estados Unidos. Em 1 de janeiro de 1955 ela se negou a ceder lugar no ônibus a um homem branco, contrariando a lei da época. Foi presa e seu ato deu início aos movimentos contra a segregação racial nos Estados Unidos.

No mesmo mês completaram 20 anos da morte de Wladimir Herzog (1975). Sua morte foi um marco no processo de luta contra a ditadura militar no Brasil, provocando ondas de protestos.

Esses dois eventos mostram uma coisa que se repete na história: fatos isolados, aparentemente insignificantes dentro do contexto, podem provocar grandes mudanças.

Isso merece uma reflexão: até que ponto nossas ações – por menor que sejam – podem influenciar no mundo a nossa volta? O homem comum subestima sua capacidade porque se sente pequeno, impotente, diante das coisas. Entretanto, em grande parte isso não é verdade. Quando Rosa Parks decidiu não respeitar a lei, foi por pura indignação pela injustiça que estava sofrendo; nunca pensou que seu ato teria tanta influência no futuro.

A verdade é que somos capazes, sim, de mudar as coisas, por mais que nem sempre saibamos as reais conseqüências dos nossos atos. Pequenas ações podem demorar anos para produzirem efeitos. Mas eles acontecem, cedo ou tarde. Nossos atos podem ter impacto profundo no que acontece no presente e, principalmente, no futuro.

Grandes mudanças não ocorrem de uma hora para outra, são resultado de um conjunto de fatos que acontecem e preparam o terreno. Muitas vezes, os fatos que contribuem para uma mudança não têm nenhuma relação direta com o fenômeno que influenciará. Por isso mesmo, dificilmente conseguimos prever o impacto de certos acontecimentos.

Em 1973, uma jovem viciada, e grávida, chamada Norma McCorvey, moveu ação para ter o direito de abortar seu filho, alegando ter sido estuprada. A ação culminou com a legalização do aborto nos Estados Unidos, em 1975. Atualmente, estudo do premiado economista Steven D. Levitt, da Universidade de Chicago, mostra relação direta da legalização do aborto com a enorme queda dos índices de criminalidade no país[1]. Estima-se que os abortos realizados desde a década de 70 sejam responsáveis por 30% da queda da criminalidade a partir dos anos 90. Ninguém nunca pensou que o aborto tivesse influência nos índices de criminalidade.

Proteste! Participe! Freqüente reunião de condomínio! Vote! Denuncie os abusos! Lute por seus direitos! Faça tudo que achar correto, porque você nunca sabe o quanto está contribuindo, mas com certeza as coisas vão mudar também por sua causa. Se para pior, ou para melhor, depende de você.


[1] Melhores informações sobre esse estudo podem ser lidas no livro Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner. Editora Elsevier (2005).

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