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Ouça sua intuição

Em entrevista recente[1], o presidente da Casio, Kazuo Kashio, afirmou que foi a intuição que o fez apostar na fabricação de câmeras digitais portáteis. Uma decisão que salvou a empresa do buraco. Por outro lado, Bill Gates já afirmou que cada vez mais a informação e a pesquisa são determinantes nos negócios. Entretanto, todos sabem, Bill Gates contou com a intuição e uma grande idéia para criar o Windows. Nunca fez pesquisa para isso.

            Mas, afinal, o que é intuição? Eu definiria intuição como a capacidade de previsão de um fato ou a compreensão de uma verdade sem o uso da razão ou do raciocínio objetivo. Quem tem intuição sabe ou prevê algo, embora não saiba como consegue.

Grandes homens de negócios têm intuição, isto é certo. Em maior ou menor grau. Alguns a usam o tempo todo. Outros preferem ser mais racionais e objetivos.

Num mundo de negócios cercado de informação, de pesquisas de mercado, de gráficos, de análises racionais, parece haver pouco espaço para a intuição na tomada de decisão. Entretanto, uma grande maioria de produtos e serviços revolucionários foram frutos da intuição. Quem diria, no início do século XIX, que o carro popular seria um sucesso? Somente Henri Ford percebeu isso. Os consumidores não sabiam o que queriam, não compreendiam a dimensão do produto.

A pesquisa de mercado é muito boa para encontrar respostas dentro de realidades mais concretas, ou, em situações que as tendências são mais evidentes. No entanto, a intuição faz a diferença em cenários pouco palpáveis, quando a inovação está fora da compreensão da sociedade e dos consumidores.

Por exemplo, quando surgiu a fotocopiadora (xerox) ninguém entendia bem para que serviria. O mesmo com o telefone, com o rádio e com o computador. Foram produtos que dependeram muito mais da insistência e persistência de homens visionários do que do fato da sociedade reconhecer sua utilidade.

Se dependêssemos da pesquisa de mercado não existira o telefone, o Windows, a câmera digital portátil, o Cereal em Flocos, o Walkman. Mas, sem pesquisa, não teríamos uma outra relação até mais externa de produtos.

Faça pesquisa, analise a pesquisa, mas nunca deixe de ouvir sua intuição.

Publicado no Diário do Pará, caderno Brasil Hoje, Coluna Gestão & Negócios. Pág. 4. 04/05/2004.


[1] Revista Exame. Abril de 2004. p. 96-98.

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