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Perdendo o bonde

Os sindicatos, enquanto organizações que lutam pelos direitos dos trabalhadores, sempre tiveram um importante papel na melhora das condições de trabalho e qualidade de vida da classe operária. Isso é indiscutível. Entretanto, como qualquer outra organização, pode se tornar obsoleta, ultrapassada.

            Sustentados ainda por ideologias e idéias retrógradas com relação à sociedade e ao próprio trabalhador, os sindicatos têm perdido o bonde da história. Isso faz com que cada vez mais os próprios trabalhadores sintam-se pouco representados por eles.

Podemos citar alguns motivos. O primeiro é estamos entrando na era do trabalhador do conhecimento, que é dono do próprio trabalho e tem muito mais mobilidade. Na Nova Economia o domínio do trabalho, perdido durante a Revolução Industrial, volta para o trabalhador.

O segundo motivo é que a produtividade, cada vez mais intelectual, não pode ser mais conseguida apenas a custa de automação, requer criatividade, inovação. Isso forçou o empresariado a deixar de falar em operário e falar em capital intelectual. Isso muda as relações de poder.

O terceiro motivo está ligado ao contingente de mão-de-obra que pode ser caracterizado de operariado. Essa clientela é cada vez menor. Ou seja, os sindicatos estão perdendo seus clientes tradicionais. E para os novos clientes, trabalhadores de nível gerencial e especializados, os sindicatos são inúteis. Pois não conseguem representar as verdadeiras aspirações desta classe crescente.

Ao mesmo tempo, os sindicatos foram se tornando organizações extremamente paternalistas, e em muitos casos reduto de pessoas mal intencionadas, despreparadas.

Falta ainda aos sindicatos mais transparência em sua gestão. Os associados nunca sabem onde é investido o dinheiro e em quê. As prestações de conta não são realizadas com a lisura que deveriam ser. Em muitos casos há brigas de poder mais para gerir o caixa do que para representar seus membros.

O partidarismo também é uma outra chaga no seio desta organização, visto que seus associados são cada vez mais pluripartidaristas. Além do mais, o que se vê no mundo todo é o fim das ideologias. Cada vez mais temos que pensar em termos “do que funciona, e o que não funciona.”

O sindicato está morrendo, e não está percebendo isso. Tenta sobreviver a custa de proteção política, lobby e discursos de impacto. Os sindicatos têm que ser repensados enquanto organização; têm que renovar seus quadros de liderança, por gente mais capaz de entender essa nova sociedade, com idéias e posturas mais condizentes. Essa é a única maneira de justificar seu futuro.

Publicado no Diário do Pará, em 10/06/05

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