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Prevendo furacões

Nos últimos anos vimos os fundos de pensão tornarem-se uma força poderosa no mercado financeiro. Reunidos, os 361 fundos de pensão do país possuem um patrimônio líquido de R$ 208 bilhões e participam de investimentos variados. De aquisição de papéis da dívida pública a compra de ações de empresas privadas.

O objetivo último destes investimentos é garantir o máximo de rentabilidade e o mínimo de risco com o dinheiro aplicado, de forma a beneficiar os verdadeiros donos do dinheiro: trabalhadores que contribuem com os fundos para ter uma fonte de renda futura. Entretanto, a história e a experiência mostram que quando muito dinheiro é movimentado pelos que não são os reais beneficiários, a fraude e o uso em proveito dos administradores torna-se presente. Isso é ainda mais verdadeiro quando não existem mecanismos eficientes para controle e análise da eficácia da gestão.

Nesse caso, a influência do governo e a pressão de grupos de interesses (sindicatos, CUT, CGT, bancos etc.) está transformando esse negócio em mais uma fonte de escândalos financeiros, que inclui mau uso do dinheiro, suborno, fraude, enriquecimento ilícito, entre outros.

Indignados e preocupados, futuros pensionistas sentem-se inseguros quanto ao próprio futuro. Ou seja, aquilo que era pra gerar segurança ao trabalhador, pode se tornar seu maior pesadelo.

Há que se tomar providências quanto a esta situação. Os atuais indícios de corrupção e gestão fraudulenta destes fundos é uma tragédia anunciada. Com certeza há muito mais sujeira embaixo do tapete e resolver casos individuais não resolve o problema maior: a fragilidade do sistema.

Temos que nos preocupar também com os planos de previdência administrados por bancos privados. Casos recentes nos mostram isso, como o Banco Santos, que, inclusive, deu prejuízo a um fundo de pensão.

Por enquanto, tudo parece correr bem, entretanto a fragilidade diante de possíveis crises e má gestão é clara, e transforma a previdência privada em um gigante com os pés de barro. Quem investe nesses fundos pode – daqui a alguns anos – ficar sem ter a quem recorrer. Esse tema foi motivo de debates acalorados em encontro realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Infelizmente, o governo e a sociedade demoram a agir diante daquilo que não é urgente. Estamos na situação em que se encontrava New Orleans: à mercê de furacões.

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