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Mais que um título

Diz a história que a Universidade do Rio de Janeiro (1910) foi criada para conceder o título de doutor para um monarca estrangeiro. Apesar de ser uma história aparentemente engraçada, simboliza como a vaidade humana também é responsável pelo ridículo em nosso comportamento. Porque títulos nem sempre são representativos da verdadeira grandeza do homem que os ostenta.

Quando D. João chegou ao Brasil, sem dinheiro para as despesas da corte, utilizou da distribuição de títulos de nobreza em troca de doações de grandes quantias dos ricos comerciantes brasileiros, ávidos por status na sociedade.

É uma característica do homem tentar se diferenciar deste modo. Títulos são símbolos de status, poder, inteligência, méritos conquistados. Mas também são resultado da tentativa de mostrar o que não se é, e isso reflete uma tendência à farsa, o que é trágico.

Infelizmente, em todas as sociedades, há uma tendência à valorização de títulos, em detrimento dos verdadeiros méritos. Vemos isso em várias atividades, quando algumas organizações de classe se tornam corporativistas, quando valorizamos por demais os diplomas e dificultamos o acesso ao saber, para proteger grupos privilegiados.

Entretanto, o verdadeiro saber e o verdadeiro mérito não são resultado apenas de diplomas e certificados, mas do esforço e do talento dos indivíduos. Não é coincidência muitos negócios serem fundados por pessoas aparentemente sem grande educação formal, mas com muita inteligência, talento e iniciativa.

Não estou dizendo aqui que o estudo formal não é importante, pelo contrário, mas que devemos ter consciência crítica e não incentivarmos a valorização de títulos e a formação de preconceitos contra os que não os detém. Preconceitos esses materializados por meio de leis, como a tentativa de restringir a atividade jornalística aos profissionais formados em jornalismo. A mesma coisa querem fazer na área de publicidade.

Na chamada sociedade do conhecimento, o embuste daqueles que dizem saber e não sabem não funcionará. E o conhecimento verdadeiro, e aqueles que o detém, será a verdadeira competência de uma sociedade desenvolvida. Por isso, se no passado a formação profissional e acadêmica era buscada para conseguir um bom emprego, na sociedade do conhecimento a competência será a chave para se manter empregado.

Por isso as empresas estão buscando profissionais que tenham mais que diplomas, títulos. Querem gente que realmente saiba o que está fazendo, e o que deve fazer para tornar a empresa competitiva, no presente e no futuro. E os títulos? Ah, esses ficarão muito bonitos nas paredes.

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