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Perfeito para quê?

Procura-se: profissional dinâmico, empreendedor, bom relacionamento interpessoal, capacidade em trabalhar em equipe, boa apresentação. Esse parece ser o início de todo anúncio de emprego. Todo mundo procura pessoas perfeitas, sem vícios, equilibradas, felizes. Todo mundo procura gente que não existe.

A maioria dos grandes empreendedores e homens de negócio não se encaixariam no perfil traçado pelas empresas hoje em dia. As pessoas que traçam esse perfil são tecnicistas extremistas que deveriam estudar mais a história da sociedade e das grandes realizações humanas.

Quem contrataria, em sã consciência, um homem que visivelmente tinha problemas com bebida, sofria de depressão e era muito rude com seus subordinados? Esse homem era Winstom Churchill, considerado o líder do século. E Hiltler, no entanto, era amável com serviçais e até hoje uma de suas governantas, ainda viva, diz que ele foi o melhor patrão que ela teve.

Ninguém também colocaria Henri Ford para chefiar uma equipe, pois ele era autoritário, rude, gostava de jogar as pessoas umas contra as outras. Não aceitava que o corrigissem.

E quem também contrataria um homem que se dizia um verdadeiro “safado”? Pois era assim que se considerava Charles Revson, fundador da multinacional de cosméticos Revlon. Ele era antiético e inescrupuloso.

George Eastman, fundador da Kodak, e Will Keith Kellog, dos cereais Kellog´s, eram certamente homens tristes, muitas vezes incapazes de esborçar um sorriso verdadeiro. George se matou aos 77 anos sem nunca ter casado ou ter uma relacionamento conhecido com uma mulher.

Poderia aqui citar uma lista enorme de grandes realizadores, na área de negócios e em outras atividades, que não conseguiriam emprego na maioria das empresas no mercado.

É preciso entender que a criatividade, o impulso realizador, muitas vezes emerge de personalidades confusas, antagônicas, neuróticas, obsessivas. Muitas vezes são grandes tragédias pessoais que geram a força interior para a realização, para a criação. Outras vezes, uma grande habilidade, uma grande competência em determinada área convive lado a lado com defeitos dos mais desprezíveis. Gente comum não faz coisas incomuns. Ninguém que é lembrado na história era completamente normal.

As empresas, para conseguir tirar o máximo de grandes capacidades pessoais de seus subordinados, têm que compreender esse dilema e aprender a lidar com pessoas diferentes. Isso gera conflito? Claro que sim. Mas conflitos são necessários para excluir a mentalidade retilínea e a idéia única.

São capacidades diferentes, pessoas diferentes, com seus defeitos e virtudes que geram a riqueza de uma organização. Que geram a inovação e o não conformismo.

Publicado no Diário do Pará de 30/04/2005

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