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Pai rico, neto pobre

Um das preocupações mais comuns das empresas é a sucessão. Há muito debate em torno do tema e se espera uma resposta definitiva para uma pergunta complexa: os sucessores podem repetir o sucesso do fundador?

A resposta para esta pergunta é sim e não. Pode existir em uma família pessoas aptas e competentes para assumir os negócios. Mas também pode ser que não. Existem herdeiros que têm o potencial para desenvolver competência para administrar os negócios da família, outros simplesmente não têm esse potencial. O fato de um empreendedor ter tido filhos e estes terem acompanhado o pai na administração dos negócios não torna esses filhos potenciais empreendedores ou administradores. Isso porque os filhos têm habilidades que podem ser herdadas, mas sempre são pessoas diferentes, com objetivos diferentes, desejos diferentes, aptidões diferentes.

O fato de ser filho de um grande empresário aumenta as chances de ter características empreendedoras, pela herança genética, entretanto, não é uma certeza. Não esqueçamos que 50% de seus genes são oriundos da família da mãe e que algumas características hereditárias podem vir de quatro gerações, tirando a chance do herdeiro em ser um “clone” do pai. Existem outros elementos influenciadores também, como a história de vida, as experiências, o ambiente em que cada um foi criado. O certo é que Deus, no caso de sucessão empresarial, joga dados sim, e por isso não se pode fazer previsões exatas sobre a capacidade de herdeiros administrarem com eficiência os negócios dos fundadores.

Isso explica em grande parte o fracasso de muitos negócios após o processo sucessório, por mais que os filhos tenham se preparado. Para evitar desastres, muitas companhias preferem que os negócios sejam conduzidos por executivos profissionais, como se tornou prática na Ford e na Toyota. A família herdeira desses impérios percebeu que é muito melhor passar o bastão para gente mais preparada, que garantirá o crescimento e a longevidade da empresa, do que tentar conduzir os negócios e perder todo o patrimônio que o fundador deixou. Antônio Hermírio de Moraes, inteligentemente, percebeu isso e colocou executivos profissionais para gerir as diversas empresas do Grupo Votorantin.

Mas também existem casos em que os filhos, ou membros da família, conseguem conduzir os negócios tão bem, ou melhor, que o fundador. É o caso do Grupo Pão de Açúcar, foi o caso da IBM na década de 40. De qualquer forma, é preciso que se saiba que nem sempre os filhos de um empresário têm as condições para gerir o negócio como o pai. Assumir esta realidade é melhor do que confirmar o ditado que diz: “pai rico, filho nobre, neto pobre”.

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