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Tornando-se incompetente

Era o ano de 1986 e estava em meu segundo emprego em vendas, quando conheci um grande vendedor grande vendedor que vou chamar aqui pelo nome fictício de Marcos. Com cerca de 40 e poucos anos, até hoje foi um dos melhores vendedores que conheci.

Trabalhava há muitos anos na empresa e se saiu tão bem como vendedor que foi promovido a Gerente Geral de uma divisão de máquinas da empresa. Foi o início do desastre. Como gerente Marcos mostrou-se tão incompetente que quem realmente resolvia tudo era sua secretária. Marcos ficou muito pouco tempo como gerente, uns dois anos depois da promoção foi demitido. Sua secretária, que era muito capaz, hoje tem um cargo de gerência na mesma empresa.

Esse tipo de situação seria trágica se não fosse freqüente. No dia-a-dia das empresas é muito comum uma pessoa ser promovida para outra função porque se saiu bem na anterior. Entretanto, demonstrar competência em uma função não é certeza de se sair bem em outra.

Existem duas razões para isso. A primeira é que as competências necessárias para ocupar um cargo não necessariamente são as mesmas para ocupar outro cargo. Ou seja, não é porque você é um ótimo pedagogo para trabalhar com crianças deficientes, que será um ótimo pedagogo para trabalhar com educação de jovens e adultos.

A segunda razão é “miopia”. Quando se trabalha numa função, temos um modo de trabalhar, fazemos algumas coisas muito bem. Quando mudamos de função, temos a tendência de continuar a fazer as coisas do mesmo modo, mesmo que na nova função seja necessário fazer diferente. É o caso, por exemplo, de um subordinado que ao ser promovido a chefe continua a pensar e agir como subordinado. Ou um executivo que quando passa a ser assessor continua a agir como se fosse executivo.

Quando se muda de função, a primeira coisa que temos que perguntar é “o que é o meu trabalho?”; a segunda é “o que tenho de fazer para ser bem sucedido nele?”; a terceira é “quais são os resultados que tenho que alcançar?”.

Se todo profissional fizesse estas três perguntas quando mudar de trabalho, ou de função, poderíamos evitar muitos fracassos. Da mesma forma, quando uma empresa decidir promover alguém, deve se perguntar se as competências e habilidades que fizeram esse profissional ter bom desempenho, são as mesmas para a nova função.

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