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A Marcha da Família com Deus: uma solução para o problema da ascensão do Comunismo?

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A Marcha da Família de ontem (22/03/2014) é a representação do limite a que chegamos. Quando uma situação chega a extremos, defendemos soluções das mais radicais. Infelizmente por vezes, e a história mostra, que isso é a alternativa dos desesperados. O problema é que o remédio pode vir a ser muito amargo. É como fazer quimioterapia. Perdemos os cabelos, a beleza, passamos pelo inferno. Porém se o tratamento der certo nossa vida é… salva. Porém, o tratamento nem sempre dá certo. Ou então o tratamento em si se transforma em outra doença.

É o caso, por exemplo, de uma mulher que é traída pelo marido durante anos. Cansada disso, se separa e vai viver com outro homem, que foi seu amante durante um tempo. Ele promete mundos e fundos, o amor idílico que ela sempre sonhou. Durante o tempo que foram amantes, ele sempre mostrou uma vida maravilhosa alternativa ao casamento de traições no qual ela vivia. Então se separa e vai viver com o amante. No começo é tudo mil maravilhas. Porém, com o tempo esse homem se transforma, mostra o que é de verdade, e não somente a trai, como a espanca seguidas vezes. Ela não tem nem comida direito em casa, falta-lhe tudo. Ele não a deixa sair de casa, vigia todos os seus passos, e ai dela protestar. É porrada na certa. Ela passa a viver um inferno. Desesperada, ela chega à conclusão: é melhor aguentar traições, mas ter segurança, uma boa vida, que viver assim, apanhando e sendo traída também. “Pelo menos o meu ex-marido me dava tudo, era carinhoso, me tratava bem, era um bom homem”, pensa ela. Ou seja, ela opta pelo mal menor. E, relativizando a situação, passa a enxergar o passado muito melhor do que o presente. Infelizmente, essa mulher não tem muita esperança. Não consegue se mobilizar para um terceiro elemento: largar o atual marido, que foi amante, e viver sua vida sozinha, sem um, nem outro. Ser dona de sua própria vida e assim poder escolher um homem que realmente a ame, ou viver feliz sozinha.

A situação do Brasil é assim. Sem opções, vendo um futuro de abusos, de ditadura de esquerda, de violência e miséria crescentes, acreditamos que o futuro é bem pior do que foi o passado. Ou seja, a terceira via não é alternativa. É o passado, ou o presente insuportável.

É importante que saibamos que em situações de total descontrole, nas quais a miséria, o desrespeito, as desigualdades econômicas e sociais, e a corrupção, chegam a níveis insuportáveis, tendem a surgir soluções antes inaceitáveis. O ser humano, diante do desespero, se apega a ideias das mais radicais e por vezes loucas. Foi o caso da Alemanha de Hitler, da Revolução Russa de 1917, da Revolução Cubana, da Revolução Francesa de 1789. Entretanto, temos que tomar consciência que toda mudança drástica é imprevisível. Se a Revolução Francesa à longo prazo trouxe uma sociedade melhor, mais justa, a China de Mao só viu o caos e o genocídio.

Não sejamos ingênuos em pensar que os militares de hoje têm o caráter de outrora. Se muitos dos Onze militares que conduziram o Golpe de 64 foram considerados áusteros e contra a corrupção, desenvolveram o país, os militares de hoje talvez não sejam assim, e nem consigam a mesma proeza, ou, pior ainda, decidam não fazer uma abertura democrática no futuro. De fato, o passado se repete, mas não da mesma maneira. As consequências não são tão previsíveis. Pode ser uma solução, mas pode ser um retrocesso também. Porém, volto a dizer, qual nossa alternativa? Nossa sociedade não evoluiu ao ponto de repudiarmos o socialismo petista, e nossa instituições estão frágeis, corrompidas.

Nossa cultura e atitudes ajudam nesse estado de coisas. É como se a mulher da estorinha não quisesse estudar, fosse preguiçosa, achasse em sua mente infantil, que precisa de um homem que a ajude. Ela é insegura, e por vezes desonesta, porque se envolveu com os dois homens também em função da condição financeira, por interesse também. Ou seja, ela é também culpada, é cúmplice, ao pensar errado, ao não buscar sua própria autonomia, ao deixar de trabalhar para construir uma vida digna.

Eu considero o grupo da Marcha da Família como pessoas bem intencionadas pedindo uma solução de desespero. Também acho que esse modelo família x religião não representa mais a sociedade brasileira. Muita coisa mudou, os valores, os anseios, veio o casamento gay, o Estado cada vez mais laico, a liberação sexual, o feminismo, o movimento pró-aborto. Temos sim que considerar tudo isso. Eles teriam sido mais felizes ao focarem na luta contra o Comunismo e seus males à todos os grupos sociais, sejam eles homessexuais, cristãos, ateus, pobres, ricos. Mas, ao representarem um nicho da socidade e defenderem essa luta como quem defende também a ditadura, perderam o bonde da história e uma ótima oportunidade.

Considerando tudo, ao nos depararmos com o rumo dos acontecimentos, se for para nos livrarmos do Socialismo/Comunismo em sua versão latino-americana, prefiro sim uma intervenção militar. Para salvar o país do Comunismo, do avanço desse socialismo ligado ao narcotráfico, aliado da Venezuela, de Cuba, da Argentina, da Bolívia, porque sei que é um futuro sombrio com certeza. Não há dúvidas disso. A história é repleta de fatos, e estamos vivenciando isso na Venezuela e na crise da Ucrânia.

Mas não sou ingênuo em achar que tudo será mil maravilhas se os militares intervirem. Se for o caso, que seja por um tempo o mais curto possível. De qualquer modo, para mim seria a prova viva de que a sociedade brasileira ainda tem um primitivismo enorme em maneira de pensar, de agir. Mostra que não aprendemos com a história. Que os brasileiros ainda não se responsabilizaram por si próprios, que não têm ainda a educação necessária para assumir sua vida, viver sem um e sem outro modelo. Mostraremos que não conseguimos decidir por nós mesmos, porque somos facilmente enganados com promessas vãs e ideologias assassinas e autoritárias.

Temo pelas consequências, mas prefiro o remédio amargo ao câncer que está tomando conta de meu país. O amante mostrou quem realmente é, e todas as promessas passadas se mostram apenas ilusões para conseguir o amor da nação. Pensem a respeito.

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