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A gestão do conhecimento: conectando estratégia e valor para a empresa

Por William Sampaio Francini

PUC-SP E FGV-EAESP

RESUMO

Novas Tecnologias de Comunicação e Informação trazem possibilidades e questões ainda não exploradas a respeito da gestão do conhecimento nas organizações, tanto convencionais como virtuais. As tendências na direção de automação e virtualização devem ser consideradas sob seus aspectos estratégicos, tais como a obtenção de vantagem competitiva através do uso combinado destas tecnologias, a gestão de conhecimento e o aprendizado organizacional. Aspectos específicos relacionados às estratégias de geração, retenção e disseminação do conhecimento, das próprias organizações e respectivos colaboradores, assim como sua dinâmica e possíveis impactos sobre os resultados das empresas, consistem na preocupação central deste trabalho.

Palavras-chave: Gestão do conhecimento, capital intelectual, aprendizado organizacional, tecnologia da informação, valor.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1676-56482002000200014&script=sci_arttext

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Innovation, recherche et développement économique – MESR : enseignementsup-recherche.gouv.fr

Página do Ministério da Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento Econômico da França

Muito interessanteInnovation, recherche et développement économique – MESR : enseignementsup-recherche.gouv.fr

Viva a diferença

Quem nunca teve um conflito no ambiente de trabalho? Viver em organizações e trabalhar com outros seres humanos é estar sujeito às inevitáveis diferenças de personalidade, de idéias, de atitudes.

Cada profissional leva para a empresa, junto com o seu conhecimento técnico, seus valores, sua história de vida, suas ambições, seus traumas, medos, desejos, sentimentos. Com isso, tem-se o conflito, porque pessoas diferentes têm percepções diferentes, interesses diferentes. Dessa forma, temos que gerenciar a heterogeneidade dentro da empresa, ao mesmo tempo em que precisamos que as pessoas trabalhem em torno de objetivos comuns.

E como fazer isso? Não podemos negar a existência das diferenças, muito menos fechar a porta ao diálogo. Devemos aceitar a inevitabilidade dos conflitos e que não há somente uma maneira de ver as coisas. A organização pode tirar enorme proveito das diferentes competências e habilidades de seus colaboradores, pois a criatividade pode emergir de uma visão multifacetada da realidade. Isso implica em criar condições para a participação das pessoas no processo decisório e criar meios para lidar com os conflitos. Conflitos que muitas vezes são necessários para a organização evoluir, aprender, crescer.

É surpreendente como os gestores perdem demasiado tempo pensando em processos, quando muitas vezes os problemas são de relacionamento. Uma equipe unida em torno de um objetivo comum, e com bom entrosamento, pode ser mais eficiente que uma equipe com um processo bem formatado, mas desunida e em constantes conflitos. Gestores bem-sucedidos por vezes investem demasiado tempo construindo relacionamentos saudáveis com superiores, subalternos e outros colegas de trabalho.

Os gestores têm que compreender a complexa teia de sentimentos e valores que envolvem a organização. Devem buscar a harmonia entre as diferenças individuais, ao mesmo tempo em que convergem os esforços dos funcionários em prol dos objetivos empresariais.

Quando uma organização tem dificuldade em lidar com as diferenças entre as pessoas que nela trabalham, significa que há grupos ou idéias que se sobrepõem de forma autoritária. Isso é danoso, porque destrói a capacidade de inovar, corrói o trabalho em equipe e impede a organização de evoluir e acompanhar as mudanças.

Comércio eletrônico: princípios e práticas

Artigo oriundo de minha dissertação de mestrado sob o tema Comércio Eletrônico. Dissertação_Artigo

Mais que um título

Diz a história que a Universidade do Rio de Janeiro (1910) foi criada para conceder o título de doutor para um monarca estrangeiro. Apesar de ser uma história aparentemente engraçada, simboliza como a vaidade humana também é responsável pelo ridículo em nosso comportamento. Porque títulos nem sempre são representativos da verdadeira grandeza do homem que os ostenta.

Quando D. João chegou ao Brasil, sem dinheiro para as despesas da corte, utilizou da distribuição de títulos de nobreza em troca de doações de grandes quantias dos ricos comerciantes brasileiros, ávidos por status na sociedade.

É uma característica do homem tentar se diferenciar deste modo. Títulos são símbolos de status, poder, inteligência, méritos conquistados. Mas também são resultado da tentativa de mostrar o que não se é, e isso reflete uma tendência à farsa, o que é trágico.

Infelizmente, em todas as sociedades, há uma tendência à valorização de títulos, em detrimento dos verdadeiros méritos. Vemos isso em várias atividades, quando algumas organizações de classe se tornam corporativistas, quando valorizamos por demais os diplomas e dificultamos o acesso ao saber, para proteger grupos privilegiados.

Entretanto, o verdadeiro saber e o verdadeiro mérito não são resultado apenas de diplomas e certificados, mas do esforço e do talento dos indivíduos. Não é coincidência muitos negócios serem fundados por pessoas aparentemente sem grande educação formal, mas com muita inteligência, talento e iniciativa.

Não estou dizendo aqui que o estudo formal não é importante, pelo contrário, mas que devemos ter consciência crítica e não incentivarmos a valorização de títulos e a formação de preconceitos contra os que não os detém. Preconceitos esses materializados por meio de leis, como a tentativa de restringir a atividade jornalística aos profissionais formados em jornalismo. A mesma coisa querem fazer na área de publicidade.

Na chamada sociedade do conhecimento, o embuste daqueles que dizem saber e não sabem não funcionará. E o conhecimento verdadeiro, e aqueles que o detém, será a verdadeira competência de uma sociedade desenvolvida. Por isso, se no passado a formação profissional e acadêmica era buscada para conseguir um bom emprego, na sociedade do conhecimento a competência será a chave para se manter empregado.

Por isso as empresas estão buscando profissionais que tenham mais que diplomas, títulos. Querem gente que realmente saiba o que está fazendo, e o que deve fazer para tornar a empresa competitiva, no presente e no futuro. E os títulos? Ah, esses ficarão muito bonitos nas paredes.

Sobrevivendo à mudança

Lembro com saudade da época em que eu, ainda garoto, passeava e fazia compras na Mesbla. Da mesma forma meu pai mensalmente fazia compras na rede de supermercados São João. Nenhuma dessas empresas existe mais, e não faz muito tempo que isso ocorreu.

Empresas surgem e desaparecem com rapidez surpreendente. Mas algumas sobrevivem muito tempo. Quais os segredos das que conseguem sobreviver? Existem dois.

O primeiro tem relação com a competência das empresas. Elas simplesmente se adaptaram ao mercado, reagiram à concorrência. O segundo é por sorte de estarem em um mercado que não mudou, em que a concorrência não se desenvolveu ao ponto de representar uma ameaça.

Comparo ao que acontece na natureza. Quando Darwin visitou as Ilhas Galápagos, encontrou um ambiente que não havia mudado há milhões de anos. As espécies que lá estavam nunca pouco se adaptaram porque o ambiente permaneceu o mesmo. Por isso Darwin encontrou espécies que contribuíram para sua Teoria da Evolução.

No outro extremo, temos regiões do planeta que se transformaram em deserto, onde antes era uma floresta, nas quais o clima mudou, os predadores, as condições de alimentação etc. Nessas regiões muitas espécies se extinguiram, outras surgiram, outras se adaptaram.

No mundo dos negócios é a mesma coisa. Quando o ambiente em que a empresa está inserida muda, a empresa também tem que mudar. Tem que se adaptar, caso contrário não sobrevive. Por isso é importante a empresa estar constantemente atenta às mudanças, o que implica em reconhecer que a empresa está mais para um organismo vivo do que para uma máquina.

O que diferencia a evolução na natureza, da evolução no mundo dos negócios, é a velocidade das mudanças. No mundo dos negócios a velocidade é muito superior. Enquanto na natureza um organismo demora milhares de anos para se adaptar, ou para uma floresta se transformar em um deserto, nos negócios um produto pode ficar obsoleto em menos de um ano.

É como aconteceu com a IBM, que no início vendia máquinas registradoras, depois máquinas de datilografia e de contabilidade, para finalmente entrar no mercado de informática.

Faz-se necessário, portanto, que a empresa fique atenta para as mudanças no mercado, em relação aos concorrentes, aos hábitos e necessidades dos consumidores, às mudanças econômicas, políticas, tecnológicas. Caso contrário, será uma espécie em extinção.

Universidade x empresas

É reclamação constante da maioria dos empregadores a dificuldade em encontrar profissionais qualificados para contratação. Normalmente se busca por meio de anúncios de jornal, empresas de recursos humanos e indicação de terceiros.

Durante esse processo um empregador pode receber dezenas de currículos. Mas mesmo assim receber um bom currículo nem sempre é certeza de estar diante do profissional certo. Por isso damos tanto valor para as “indicações”. Acreditamos que diminuímos o risco de errar quando uma outra pessoa já conhece o histórico do futuro candidato, conhece seu desempenho.

Realmente, uma boa “indicação” tende a ser melhor que um bom currículo. Isso quando a indicação é feita da forma correta.

Porém, existe outra forma de se buscar bons profissionais, com baixo nível de erro na avaliação do potencial. Estou falando da seleção de candidatos dentro das universidades por meio de acompanhamento do desempenho durante o curso, suas habilidades. Diferente do simples estágio – que em grande parte é uma forma de contratar mão-de-obra barata – esse modelo busca pessoas para ocupar funções gerenciais e especializadas. O objetivo é reconhecer os talentos que podem se desenvolver. É assim que os grandes times de futebol fazem nas escolinhas de base, por meio dos famosos “olheiros”.

Para que esse processo funcione, é necessária a ajuda de professores e coordenadores de curso. As empresas, por sua vez, devem realizar palestras, desenvolver projetos nos quais possam avaliar o potencial dos futuros candidatos a emprego.

No Sudeste do país, onde se concentram as melhores escolas de negócio, isso já existe. Nos Estados Unidos, mais ainda. Em nossa região precisamos melhorar muito. Ainda não temos essa cultura, infelizmente.

A participação de empresas dentro das universidades é benéfica para todas as partes. Para as empresas porque melhora o índice de sucesso nas contratações e contratam os melhores. Para os alunos, porque os incentiva a melhorar seu desempenho durante o curso e cria oportunidades de emprego. Para as universidades, porque se aproximam da realidade do mercado e ajudam seus alunos na profissão.

Mesmo com vantagens óbvias, há muito que se fazer. Mais empresas precisam abrir os olhos para essa oportunidade e as universidades precisam conscientizar as empresas.