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Por que é legítimo retirar Nicolas Maduro do poder

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Pessoas que defendem o governo de Nícolas Maduro alegam que é um governo eleito democraticamente. Ocorre que eleger um governante não é passar um cheque em branco. Ele tem de cumprir seu papel, atingir os objetivos implícitos e explícitos no exercício do cargo. Por esse pensamento o impeachment de Collor foi um golpe branco.
Basta você refletir. Caso você tivesse uma empresa e contratasse um novo gerente, por um contrato de 4 anos, e ele no meio do tempo de serviço passasse a desviar dinheiro da empresa, a desrespeitar clientes, tratar mal os empregados, faltar ao serviço, etc., o que você faria? Demitiria imediatamente o sujeito? Ou esperava ele completar os 4 anos de contrato? E se a lei não permitisse que você o demitisse? Ou que você, embora pudesse demiti-lo por justa causa, não conseguisse provar isso judicialmente? Você o manteria no cargo, ou o demitiria antes que ele fizesse estragos piores, ou o manteria para evitar pagar os encargos necessários?
Pois bem, assim é um presidente, qualquer cargo político. O povo não passa cheque em branco através do voto. Ele não pode fazer o que bem quiser. E quando ele é eleito, estão implícitos e explícitos comportamentos e objetivos que o povo achou que ele fosse cumprir. Há um contrato implícito no processo eleitoral. Não está escrito, mas existe, está lá.
Um exemplo extremo desse comportamento errático é um massacrar seu povo, prender opositores, manter-se no poder alegando que foi eleito democraticamente. O voto nessa situação é um mero detalhe. Importa mais é se o governante não está agindo totalmente contrário aos preceitos constitucionais, respeitando a democracia. Valer-se do seu poder político para sufocar a oposição e minar as instituições democráticas é uma outra forma de ditadura. Não se precisa recorrer às armas para isso. É um processo mais sutil, e até mais eficiente, porque veste de aparente legitimidade o que é ilegítimo.

Sobrevivendo à mudança

Lembro com saudade da época em que eu, ainda garoto, passeava e fazia compras na Mesbla. Da mesma forma meu pai mensalmente fazia compras na rede de supermercados São João. Nenhuma dessas empresas existe mais, e não faz muito tempo que isso ocorreu.

Empresas surgem e desaparecem com rapidez surpreendente. Mas algumas sobrevivem muito tempo. Quais os segredos das que conseguem sobreviver? Existem dois.

O primeiro tem relação com a competência das empresas. Elas simplesmente se adaptaram ao mercado, reagiram à concorrência. O segundo é por sorte de estarem em um mercado que não mudou, em que a concorrência não se desenvolveu ao ponto de representar uma ameaça.

Comparo ao que acontece na natureza. Quando Darwin visitou as Ilhas Galápagos, encontrou um ambiente que não havia mudado há milhões de anos. As espécies que lá estavam nunca pouco se adaptaram porque o ambiente permaneceu o mesmo. Por isso Darwin encontrou espécies que contribuíram para sua Teoria da Evolução.

No outro extremo, temos regiões do planeta que se transformaram em deserto, onde antes era uma floresta, nas quais o clima mudou, os predadores, as condições de alimentação etc. Nessas regiões muitas espécies se extinguiram, outras surgiram, outras se adaptaram.

No mundo dos negócios é a mesma coisa. Quando o ambiente em que a empresa está inserida muda, a empresa também tem que mudar. Tem que se adaptar, caso contrário não sobrevive. Por isso é importante a empresa estar constantemente atenta às mudanças, o que implica em reconhecer que a empresa está mais para um organismo vivo do que para uma máquina.

O que diferencia a evolução na natureza, da evolução no mundo dos negócios, é a velocidade das mudanças. No mundo dos negócios a velocidade é muito superior. Enquanto na natureza um organismo demora milhares de anos para se adaptar, ou para uma floresta se transformar em um deserto, nos negócios um produto pode ficar obsoleto em menos de um ano.

É como aconteceu com a IBM, que no início vendia máquinas registradoras, depois máquinas de datilografia e de contabilidade, para finalmente entrar no mercado de informática.

Faz-se necessário, portanto, que a empresa fique atenta para as mudanças no mercado, em relação aos concorrentes, aos hábitos e necessidades dos consumidores, às mudanças econômicas, políticas, tecnológicas. Caso contrário, será uma espécie em extinção.

Universidade x empresas

É reclamação constante da maioria dos empregadores a dificuldade em encontrar profissionais qualificados para contratação. Normalmente se busca por meio de anúncios de jornal, empresas de recursos humanos e indicação de terceiros.

Durante esse processo um empregador pode receber dezenas de currículos. Mas mesmo assim receber um bom currículo nem sempre é certeza de estar diante do profissional certo. Por isso damos tanto valor para as “indicações”. Acreditamos que diminuímos o risco de errar quando uma outra pessoa já conhece o histórico do futuro candidato, conhece seu desempenho.

Realmente, uma boa “indicação” tende a ser melhor que um bom currículo. Isso quando a indicação é feita da forma correta.

Porém, existe outra forma de se buscar bons profissionais, com baixo nível de erro na avaliação do potencial. Estou falando da seleção de candidatos dentro das universidades por meio de acompanhamento do desempenho durante o curso, suas habilidades. Diferente do simples estágio – que em grande parte é uma forma de contratar mão-de-obra barata – esse modelo busca pessoas para ocupar funções gerenciais e especializadas. O objetivo é reconhecer os talentos que podem se desenvolver. É assim que os grandes times de futebol fazem nas escolinhas de base, por meio dos famosos “olheiros”.

Para que esse processo funcione, é necessária a ajuda de professores e coordenadores de curso. As empresas, por sua vez, devem realizar palestras, desenvolver projetos nos quais possam avaliar o potencial dos futuros candidatos a emprego.

No Sudeste do país, onde se concentram as melhores escolas de negócio, isso já existe. Nos Estados Unidos, mais ainda. Em nossa região precisamos melhorar muito. Ainda não temos essa cultura, infelizmente.

A participação de empresas dentro das universidades é benéfica para todas as partes. Para as empresas porque melhora o índice de sucesso nas contratações e contratam os melhores. Para os alunos, porque os incentiva a melhorar seu desempenho durante o curso e cria oportunidades de emprego. Para as universidades, porque se aproximam da realidade do mercado e ajudam seus alunos na profissão.

Mesmo com vantagens óbvias, há muito que se fazer. Mais empresas precisam abrir os olhos para essa oportunidade e as universidades precisam conscientizar as empresas.

Chame o síndico

Acima de 50 anos, aposentado, e com bastante tempo livre. Até pouco tempo atrás esse era o perfil desejável de um síndico. Pelo menos a maioria dos condôminos pensava assim.

Felizmente, essa percepção mudou, depois de muitas conseqüências desagradáveis para moradores de edifícios. Com o tempo, as pessoas perceberam que não basta alguém ter tempo para ser síndico, ou ser paciente para lidar com os problemas diários. É necessário ter competência.

Um condomínio deve ser administrado tão bem quanto uma empresa. Está sujeito aos mesmos princípios, portanto merece o mesmo cuidado. O síndico tem que lidar com recursos financeiros, gerir pessoas, administrar conflitos, interpretar leis, planejar. Tem que conseguir resultados, sejam eles financeiros ou não, por isso é importante saber estabelecer metas, desenvolver planos de ação. Para tanto, tem que estabelecer as prioridades e calcular os recursos necessários. Não é qualquer pessoa que sabe fazer isso.Todas essas são funções de um gestor.

Não vou dizer aqui que todo síndico tem que ser formado em administração, seria um exagero. Entretanto, todo síndico tem que conhecer as ferramentas de gestão necessárias para suas atividades. Quem não sabe, e é síndico, tem que estudar para saber, caso contrário colocará em risco o patrimônio pelo qual é responsável.

Eleger alguém para síndico com base na simpatia, ou porque é a única pessoa que quer assumir uma função que trás muita dor de cabeça, é falta de bom senso. Quando os condôminos não se preocupam com a administração de seu prédio, sofrem “na pele” as conseqüências da omissão e pagam caro por isso. Além dos aborrecimentos cotidianos (como elevadores mal conservados, serviços que não funcionam, desrespeitos às normas etc.), sofrem perdas financeiras, como a desvalorização de seus imóveis e o aumento das taxas condominiais.

Outra opção é contratar uma empresa especializada na administração de condomínio. Porém a seleção desta empresa precisa ser rigorosa, e, depois feita a escolha, é necessário o controle e acompanhamento por parte dos condôminos. Caso contrário, o que aparentemente seria uma solução, pode se transformar em outra fonte de problemas.

Assim, escolher um síndico requer muita atenção. Não basta escolher quem “tenha tempo”, ou quem está disposto a suportar a “aporrinhação”. Os condôminos que não compreendem isso estão fadados a terem seus patrimônios nas mãos de pessoas despreparadas – quando não raro, mal intencionadas.

Para os concluíntes

Olhando para os concluíntes que aqui se encontram, reflito sobre que sociedade os espera para o exercício da profissão. Estamos numa época extremamente mutável, cheia de incertezas, em que a tecnologia está mudando tremendamente a forma como nos comunicamos, trabalhamos, nos relacionamos com os outros. O nosso melhor amigo não é mais necessariamente aquele que mora na mesma rua, na mesma cidade, mas pode estar do outro lado do mundo. Muitos não precisam mais estar na empresa para trabalhar, não precisam mais bater o cartão de ponto. Podem trabalhar em casa, de bermuda e camiseta. E mesmo assim estar em contato constante com seus superiores e colegas de trabalho.

Ao mesmo tempo as redes de informação como a internet estão acabando com a hierarquia tradicional, a palavra presente não faz mais alusão ao estar fisicamente em algum lugar.

Os núcleos de poder dentro das organizações também estão mudando, pois estão se transferindo dos níveis das chefias para aqueles que detêm a informação, ou seja, a empresa como um todo. Com a informação distribuída, o poder também será distribuído.

Vivemos a época das grandes organizações, que empregam milhares de pessoas, estão presentes em dezenas de países, com suas filiais, seus centros de treinamento, centros de tecnologia, operações interligadas via satélite. E, apesar de tudo isso, com tantos escritórios, com tantas máquinas, tanta tecnologia, tanto dinheiro, estas organizações cada vez mais precisam das pessoas. Precisam porque enfrentam grandes desafios. O desafio de fazer cada vez mais com menos (a produtividade), de ganhar mais com os mesmos recursos (a rentabilidade), de fazer cada vez melhor (a qualidade). E o tamanho destas organizações, que num passado distante era uma vantagem, agora representa um problema. Por quererem a estabilidade correm o risco de estagnarem. Ao precisarem de ganhos em escala, correm risco de se tornarem ingerenciáveis.

Este é o tipo de organização que os espera, e que cada vez mais reconhecem o valor do capital intelectual que possuem. Esse ativo intangível e essencial. Estas empresas valorizam cada vez mais o potencial criativo das pessoas. Percebem a necessidade que têm de reter os melhores talentos, de dar oportunidades a todos, de tornar o ambiente de trabalho um lugar mais rico de experiências e com mais liberdade de ação. Algumas empresas já nem falam mais da folha de pagamentos como uma despesa, mas como um investimento.

As organizações hoje valorizam como nunca a educação, o desenvolvimento do ser humano. Antes, para as empresas um funcionário que estudasse era um funcionário que não se dedicava integralmente ao trabalho, por isso corria risco de ser demitido, ou preterido de uma promoção. Hoje, quem disser que não quer mais estudar, está pedindo pra sair.

As carreiras lineares também estão acabando. Coisas do tipo: gerente nível I, nível II, nível sênior,  gerente geral, sub-gerente. Há uma preocupação maior em representar a responsabilidade do profissional nos objetivos da empresa do que um nível funcional. Lembro de como uma empresa intitulou a função de sua gerente de atendimento. No seu cartão de visitas dizia: gerente de relacionamentos e encantamento de clientes. Podemos perceber que grande responsabilidade esta executiva tinha dentro da empresa.

Diante desta realidade, o profissional de hoje precisa entender o quê a sociedade e as organizações precisam, o que se espera deles, como podem se destacar num ambiente tão competitivo. E isso não é nada fácil, até mesmo pela forma como enxergamos o mundo até aqui.

Desde a nossa tenra infância estamos acostumados a ver os pais falando que gostariam que seu filho fosse um médico, um engenheiro, um advogado… Ao crescermos e sermos apresentados às pessoas, também fomos apresentados aos seus cargos: fulano de tal, sócio da empresa do escritório de advocacia X, ou diretor do banco Y. Desta forma, fomos definindo nosso valor pelo que ocupamos em termos de papéis. Ou seja, pelo status que podemos adquirir enquanto ocupantes de cargos. E começamos a pensar e agir sob esta ótica. Passamos a acreditar firmemente nisso.

No entanto, a sociedade não precisa de médicos? Precisa, mas antes precisa de quem realmente cuide dos enfermos, entenda sua responsabilidade enquanto profissional. A sociedade precisa de advogados? Precisa sim, mas acima de tudo precisa de homens que nos livrem das injustiças, que consigam acabar com coisas como esta famigerada CPMF. As organizações precisam de publicitários? Com certeza sim, mas antes disso precisam de pessoas criativas, que consigam exercer com maestria seu trabalho, que façam seus clientes progredirem, que traga resultados para eles. As organizações precisam de administradores? Precisam sim, mas precisam muito mais de pessoas que consigam fazê-las crescer e prosperar.

Sob esta perspectiva, quero mostrar que vocês, como profissionais do conhecimento, serão cada vez mais valorizados pelo que fazem, e não pelos seus títulos. A academia, a universidade, deu-lhes o conhecimento, mas seu valor pessoal será medido pela forma como utilizam este conhecimento.

O profissional da era do conhecimento, do capital intelectual, precisa entender essa realidade, seja de que profissão for. Seja ele um advogado, um economista, um publicitário ou um administrador, pois todos estes vivem e trabalham em organizações, com equipes de trabalho. Precisa constantemente buscar sua verdadeira contribuição, ser flexível para entender quando deve mudar de caminho, ser perspicaz para saber quando seu conhecimento se tornou obsoleto – aprender sempre.

E como fazer isso? Aprendendo a gerenciar sua carreira. Primeiramente deve entender que seus defeitos não podem ser tornar obstáculos, por isso precisa avaliá-los constantemente. Mas…, o real segredo está em descobrir quais são suas potencialidades superiores. É nisso que se concentra sua grande chance de sucesso. Se descobrir aquilo em que pode ser o melhor, estará descobrindo em que podemos contribuir para a sociedade, para a organização em que está inserido.

Percebam que todos aqueles que se destacaram, o fizeram por terem uma pelas suas habilidades e qualidades superiores. Vou citar alguns exemplos.

O presidente Franklin Roosevelt na escola era um menino inteligente, mas nunca chegou a ser brilhante. Era magro demais para ter sucesso nos esportes. Mas ninguém sabe disso. A maior lembrança que os americanos têm dele refere-se à sua grande autoconfiança e determinação, de ter sido um grande orador, um político hábil, que era extremamente determinado. Ficou conhecido como o presidente que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão.

Gandhi, por exemplo, era extremamente tímido e, acreditem, tinha medo de dormir no escuro. Mas alguém lembra ou sabe disso? Gandhi é mais conhecido pela pregação da não-violência, pelos seus firmes valores, e por sua luta contra a dominação inglesa na Índia.

Algum de vocês saberia dizer se Pelé é foi um bom aluno de geografia? Confesso que nunca me perguntei sobre isso e nunca quis saber. Mas todos sabem que jogava futebol como ninguém. Nisso ele era o melhor e foi assim que entrou para a História.

Winston Churchill, outro exemplo, sofria de sucessivas crises de depressão, aquilo a que chamou de “a grande sombra negra que me acompanha”. Mas a depressão não o impediu de influenciar decisivamente para a vitória dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial, pois tinha era um diplomata e político muito habilidoso.

Acredito que o bom profissional deve articular eficientemente suas características pessoais, transformá-las em algo de valor para si e para a sociedade. Saber o seu papel. Encontrar a si mesmo.

Para isso precisa aprender a gerenciar sua própria vida, seu conhecimento, determinar seus objetivos, avaliar onde estão as oportunidades de trabalho, em quê pode ser útil à sociedade e às organizações.

Uma outra característica do trabalhador do conhecimento é consciência da necessidade de utilizar de forma prática o seu conhecimento. Para este profissional o pensamento não pode ser separado da ação. Não há nada mais inútil do que uma idéia que não foi colocada em prática.

Este profissional também precisa aprender a trabalhar em equipe, porque o conhecimento e a competência individual passam a ser resultado do conhecimento coletivo. Precisa entender que é impossível saber tudo, mas deve saber como encontrar a informação quando precisar.

Se vocês pretendem ocupar posições de liderança, devem se habituar a liderar pessoas mais inteligentes que vocês, que sabem coisas que vocês não sabem, e que, em muitos casos, por seu alto grau de conhecimento, ganhará até mais que vocês. Boa parte das habilidades do líder do futuro não estará em saber mais, mas em saber tirar o melhor proveito da capacidade das pessoas que liderar.

Uma outra questão também se apresenta para o trabalhador do conhecimento: ser especialista ou ser generalista. Cláudio de Moura e Castro diz que o generalista é o que está mais preparado e é mais cotado para os cargos de chefia, no entanto, em outro momento também diz que na medicina a especialidade é importante. Para saber que caminho seguir o profissional do conhecimento deve fazer uma avaliação pessoal a este respeito. Não há uma resposta única, depende das habilidades e aptidões de cada um. Há espaço para todos, desde que sejam competentes.

Por fim, os que não se importam com o quê são, que busquem um cargo melhor para ganhar um melhor salário. Mas, aqueles que realmente querem fazer diferença, que busquem uma grande contribuição, que as recompensas serão superiores em tudo. Em suma, busquem crescer na profissão, não visar posições.

Você é o seu fracasso

Entrevista para emprego é algo que deixa qualquer um nervoso. Também pudera, o trabalho é uma parte importante de nossa vida. Nesses momentos, uma de nossas preocupações é mostrar o melhor da gente.

Procuramos parecer confiantes, competentes, a pessoa ideal para o cargo que está vago. No currículo colocamos todas nossas realizações, mostrando como somos pessoas de sucesso ou com potencial para o sucesso.

Temos por objetivo mostrar que não erramos no último emprego, que o desemprego é uma fatalidade em nossa vida. Não queremos deixar escapar, por um minuto sequer, que fracassamos em um projeto ou em uma decisão, porque acreditamos que isso nos tira a chance de sermos contratados.

Felizmente, ninguém engole mais essa ladainha. As empresas sabem muito bem que ninguém é perfeito e que com certeza cada um tem a sua coleção de pequenos e grandes erros.

Empresas modernas buscam não somente pessoas vencedoras, mas também pessoas que erram e aprendem com os erros. Pessoas que têm coragem de admitir que falharam, pois isso demonstra uma capacidade autocrítica fundamental para o crescimento profissional. Pessoas que não têm medo de dizer o que não sabem, pois isso demonstra discernimento, humildade.

É por isso que muitos entrevistadores perguntam não somente pelas realizações do candidato, mas também pelos seus fracassos. Querem saber como o candidato encarou a frustração, como superou o fracasso, o que aprendeu com ele.

Como são fantásticas as pessoas que riem de si mesmas quando falam bobagens, quando não sabem o que estão dizendo e, de repente, percebem isso. Essa atitude demonstra maturidade, capacidade de lidar com a contradição, com idéias novas, vontade de aprender. Tem gente que não muda de idéia nem mesmo quando os fatos são inquestionáveis, o que representa enorme insegurança e baixa auto-estima.

Os fracassos estão aí para aprendermos com eles, pois uma série de fracassos muitas vezes é apenas o caminho para o sucesso.

Essa percepção é cada vez mais concreta dentro das empresas, por isso os gestores focam o crescimento de seus subordinados evitando erros drásticos e sendo tolerantes com os erros cometidos com o objetivo de aprender. Não esqueçamos que não erra quem não tenta, e quem não tenta não chega nunca ao sucesso.

Os que os gestores não devem tolerar é o tipo de pessoa que não aceita mudar, não aceita ver as coisas sob outra perspectiva e que não admite que errou. Esse tipo de profissional não cresce, no longo prazo sua capacidade de desenvolvimento é mínima e só agrega um indesejável espírito de intransigência dentro da organização.

Narciso

A lenda de Narciso fala de um jovem que admirava a si mesmo, achando-se muito belo. Todos os dias contemplava sua imagem à beira de um lago. Vaidade extrema. Desde então àqueles que são muito vaidosos chamamos de narcisistas.

Todos nós, sem exceção, somos um pouco narcisistas. Nossa vaidade só difere em grau, mas existe em cada um. Entretanto, no mundo moderno a vaidade tem adquirido uma importância nunca antes vista. O crescimento da indústria da beleza é um reflexo desse fenômeno. Foi um crescimento de 200% nos últimos cinco anos. Observem a quantidade de centros de estética, clínicas e salões de beleza que têm surgido. É um setor que movimenta mais de 2,5 bilhões de reais por ano, e que prevê um crescimento ainda maior nos próximos anos.

A rentabilidade média desse setor é maior que a maioria das indústrias e até mesmo do varejo. Por isso mesmo há uma migração de investidores profissionais que tradicionalmente investiam em outros ramos para o ramo da cosmética e da estética.

Um exemplo é o crescimento de redes de salões de beleza, que estão se profissionalizando e apostando em modelos de franquia. Salão de beleza deixou de ser negócio para cabeleireiro e virou investimento para empresários em busca de melhor retorno para seus investimentos.

Centros de estética, por exemplo, cada vez oferecem maior variedade de tratamentos, com equipamentos de última geração, que prometem fazer milagres em prol de seus clientes. Praticamente todo dia surge uma nova técnica, uma nova substância que promete diminuir rugas, celulites, manchas na pele, evitar o envelhecimento etc. Lipoaspiração, por exemplo, agora é um procedimento comum, tanto para homens como para mulheres. Em alguns salões de beleza clientes de classe média e alta chegam a gastar R$2.500,00 em um único dia.

Os homens também ajudam a aumentar o faturamento do setor, visto que estão rompendo a barreira do preconceito e assumindo sua vaidade como algo natural e desejável. As mulheres adoram – e incentivam. Por isso as empresas do ramo evitam abordagens publicitárias que levem os consumidores a estereotipar seus produtos e seus serviços como sendo algo somente para mulheres.

Em outros casos, proprietários de salões de beleza montam novos negócios voltados somente para homens, visto que esse público prefere mais discrição ao freqüentar os salões.

No mundo atual, somos cada vez mais parecidos com Narciso, sem culpas. Sentimo-nos mais felizes assim. Queremos nos sentir jovens, bonitos, como se pudéssemos ludibriar o tempo. Por mais que ao final possamos apenas ter a ilusão da beleza eterna, a realidade é que tem cada vez mais gente ganhando dinheiro com isso.